quarta-feira, 19 de abril de 2017

Um em cada dez estudantes no Brasil é vítima frequente de bullying


No Brasil, aproximadamente um em cada dez estudantes é vítima frequente de bullying nas escolas. São adolescentes que sofrem agressões físicas ou psicológicas, que são alvo de piadas e boatos maldosos, excluídos propositalmente pelos colegas, que não são chamados para festas ou reuniões. O dado faz parte do terceiro volume do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015, dedicado ao bem-estar dos estudantes.
O relatório é baseado na resposta de adolescentes de 15 anos que participaram da avaliação. No Brasil, 17,5% disseram sofrer alguma das formas de bullying "algumas vezes por mês"; 7,8% disseram ser excluídos pelos colegas; 9,3%, ser alvo de piadas; 4,1%, serem ameaçados; 3,2%, empurrados e agredidos fisicamente. Outros 5,3% disseram que os colegas frequentemente pegam e destroem as coisas deles e 7,9% são alvo de rumores maldosos. Com base nos relatos dos estudantes, 9% foram classificados no estudo como vítimas frequentes de bullying, ou seja, estão no topo do indicador de agressões e mais expostos a essa situação.
A publicação faz parte das divulgações do último Pisa, de 2015, avaliação aplicada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Participaram dessa edição 540 mil estudantes de 15 anos que, por amostragem, representam 29 milhões de alunos de 72 países. São 35 países-membros da OCDE e 37 economias parceiras, entre elas o Brasil.
Em comparação com os demais países avaliados, o Brasil aparece com um dos menores "índices de exposição ao bullying". Em um ranking de 53 países com os dados disponíveis, o Brasil está em 43º. Em média, nos países da OCDE, 18,7% dos estudantes relataram ser vítimas de algum tipo de bullying mais de uma vez por mês e 8,9% foram classificados como vítimas frequentes.
"O bullying tem sérias consequências tanto para o agressor quanto para a vítima. Tanto aqueles que praticam o bullying quanto as vítimas são mais propensos a faltar às aulas, abandonar os estudos e ter piores desempenhos acadêmicos que aqueles que não têm relações conflituosas com os colegas", diz o estudo, que acrescenta que nesses adolescentes estão também mais presentes sintomas de depressão, ansiedade, baixa autoestima e perda de interesse por qualquer atividade.
Satisfação e pertencimento
O levantamento mostra que os estudantes brasileiros estão acima da média no quesito satisfação com a vida: 44,6% dizem que estão muito satisfeitos, enquanto a média dos países da OCDE é 34,1%. Na outra ponta, tanto no Brasil quanto na média dos países da OCDE, 11,8% dizem que não estão satisfeitos com a vida.
No Brasil, 76,1% sentem que pertencem à escola. Entre os países da OCDE, 73% dos adolescentes dizem ter esse sentimento de pertencimento.
Quase todos os estudantes brasileiros (96,7%) querem ser escolhidos para as melhores oportunidades disponíveis quando graduarem e 63,9% querem estar entre os melhores estudantes da classe. Entre os países da OCDE, esses percentuais são, respectivamente, 92,7% e 59,2%.
O Brasil, no entanto, aparece quase no topo entre os países com estudantes mais ansiosos - 80,8% ficam muito ansiosos mesmo quando estão bem preparados para provas. A média da OCDE é 55,5%. O país é superado apenas pela Costa Rica, onde 81,2% dos estudantes relataram ansiedade nesses casos. Mais da metade dos brasileiros, 56%, disseram que ficam tensos ao estudar. A média da OCDE é 36,6%.
"Esses resultados sugerem a necessidade de relações mais fortes entre escolas e pais para que os adolescentes tenham o apoio de que necessitam, acadêmica e psicologicamente. Essa aproximação poderia contribuir muito para o bem-estar de todos os alunos", diz o relatório.
Pais e professores
O levantamento mostrou que pais e professores têm papel importante no bem-estar dos estudantes. Estudantes que têm pais interessados nas atividades escolares são 2,5 vezes mais propensos a estar entre as notas mais altas da escola e 1,9 vezes a estar muito satisfeitos com a vida. Com o apoio dos pais e responsáveis, os estudantes também têm duas vezes menos chance de se sentir sozinhos na escola e são 3,4 vezes menos propensos a estar insatisfeitos com a vida.  
A participação dos professores também é importante. Estudantes que recebem apoio e suporte dos professores em sala de aula são 1,9 vezes mais propensos a sentir que pertencem à escola do que aqueles que não têm esse apoio. Aqueles que percebem que os professores são injustos com eles têm 1,8 vezes mais chance de se sentir excluídos na escola.  
De acordo com o relatório, grande parte dos estudantes tem a sensação de que é injustiçada pelos professores. Em média, nos países da OCDE, 35% dos alunos relataram que sentem, pelo menos algumas vezes por mês, que seus professores pedem menos deles que dos outros estudantes; 21% acham que seus professores os julgam menos inteligentes do que são; 10% relataram que os professores os ridicularizam na frente dos outros; e 9%, que seus professores chegaram a insultá-los na frente dos demais.
Bem-estar dos estudantes
Esta é a primeira vez que o Pisa divulga dados da performance dos estudantes que dizem respeito à relação deles com os professores, à vida em casa e a como gastam o tempo fora da escola. O relatório que trata do bem-estar dos estudantes faz parte dos resultados do Pisa 2015.  Ao todo, participaram 540 mil estudantes de 15 anos que, por amostragem, representam 29 milhões de alunos de 72 países. São 35 países-membros e 37 economias parceiras, entre elas o Brasil.
Aplicado pela OCDE, o Pisa testa os conhecimentos de matemática, leitura e ciências de estudantes de 15 anos de idade. Em 2015, o foco foi em ciências, que concentrou o maior número de questões da avaliação.
Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil

segunda-feira, 10 de abril de 2017

FOLGA: Começa nesta semana a maior série de feriadões da década


Esta Semana Santa inicia sequência de três fins de semana consecutivos de feriadões. A última vez em que isso ocorreu foi há 11 anos, em 2006, também no mês de abril. Outra série de feriadões consecutivos só ocorrerá daqui a 11 anos, em 2028.
O primeiro da sequência começa nesta Sexta-Feira Santa ou, nas escolas e algumas repartições públicas, já na quinta-feira. Na semana seguinte, a sexta-feira será outro feriado: o Dia de Tiradentes, 21 de abril. O fim de semana seguinte terminará numa segunda-feira de folga: 1º de maio, Dia do Trabalho.

O período entre abril e o começo de maio é a única época do ano na qual é possível haver três feriadões consecutivos. Quando o 21 de abril é na sexta-feira, o 1º de maio cai duas segundas-feiras depois. Então, há a garantia de dois feriadões em série. Porém, a Semana Santa é data móvel e a combinação das três datas é mais rara de ocorrer.

“Imprensar”
Depois dos feriadões em série, haverá período longo sem novos fins de semana prolongados. Após o 1º de maio, o próximo será no Natal, uma segunda-feira. Porém, haverá cinco feriados que caem em dias de terça ou quinta-feira. Oportunidade para quem pode “imprensar” a segunda ou a sexta de ter quatro dias de folga seguidos.
 
Próximos feriados
Sexta-Feira da Paixão: 14 de abril
Dia de Tiradentes: 21 de abril (sexta-feira)
Dia do Trabalho: 1º de maio (segunda-feira)
Corpus Christi: 15 de junho (quinta-feira)
Dia de Nossa Senhora da Assunção: 15 de agosto (terça-feira) — feriado municipal em Fortaleza
Dia da Independência: 7 de setembro (quinta-feira)
Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil: 12 de outubro (quinta-feira)
Dia de Finados: 2 de novembro (quinta-feira)
 
Proclamação da República: 15 de novembro (quarta-feira)
Natal: 25 de dezembro (segunda-feira)

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Matemáticos explicam como pedestres se comportam nas multidões



Imagine aquela cena típica nos transportes públicos na hora do rush. Passageiros circulando de um lado para o outro, alguns com pressa, outros nem tanto, cada um com seu destino final. Mas o que faz com que as pessoas não se choquem umas com as outras? Matemáticos da Universidade Tecnológica de Eindhoven, na Holanda, publicaram, no ultimo dia 24, uma pesquisa que mapeia os movimentos dos pedestres e revela como eles se comportam em meio às multidões. O estudo é importante pois pode ajudar a evitar tragédias que envolvem grandes públicos como o caso do Love Parade, um festival de música na Alemanha, no qual 21 pessoas morreram pisoteadas e 500 ficaram feridas em 2010.
Um dos desafios do experimento, no entanto, foi monitorar grandes grupos e sua imprevisibilidade. Pois, um indivíduo pode, a qualquer momento, alterar sua trajetória. Para isso, os cientistas desenvolveram um método de mapeamento e compreensão de deslocamento de pedestres nas multidões, posicionando câmeras para gravar os movimentos em um corredor da Universidade de Eindhoven. As câmeras eram equipadas com um sensor de movimento 3D, como os que são usados em video games. Em um ano, a equipe captou imagens e identificou cerca de 70 mil rotas utilizadas pelos transeuntes. Com o resultado, estabeleceu-se o caminho adotado com mais frequência, levando em conta as variações ‘inesperadas’.
Assim, foi possível observar, por exemplo, com qual frequência um indivíduo muda sua rota e dá uma ‘meia volta’, movimento que, dependendo do tamanho da multidão, pode causar problemas de fluxo e obstrução de passagem. De acordo com os pesquisadores, conhecer e entender os caminhos tomados pelos pedestres durante situações adversas pode ajudar na organização e planejamento de controle de fluxo e evasão dos locais que recebem grandes públicos como o metrô e estádios de futebol.  

veja.com

quinta-feira, 30 de março de 2017

Comerciantes do Parque Vitória indignados com o prefeito de Ribamar


 

Moradores, comerciantes e líderes comunitários da região do Parque Vitória, bairro localizado no município de São José de Ribamar, estão indignados com a gestão do prefeito Luis Fernando Silva (PSDB).


Nesta quarta-feira (29) pela manhã, homens da prefeitura ribamarense, utilizando maquinário pesado, derrubaram vários comércios (lanchonetes, borracharias, mini supermercados, dentre outros) localizados na entrada do bairro e nas imediações da Avenida Nossa Senhora da Vitória.


Moradores e comerciantes denunciaram que os fiscais do município se recusaram a repassar maiores informações sobre os motivos da operação, limitando-se apenas a afirmar que tratava-se de uma ação determinada pelo Ministério Público.


Nas redes sociais e grupos de whatsapp da cidade foram várias as manifestações contra a operação determinada pelo prefeito tucano, que ocorreu de forma truculenta e sem aviso prévio.


No grupo de whatsapp chamado União de Líderes, formado por lideranças comunitárias do Parque Vitória e bairros vizinhos, como Alto do Turu, Espaço Sideral, e Jardim Turu, por exemplo, moradores e comerciantes criticaram Luis Fernando afirmando que ele na campanha do ano passado, durante os seminários Planeja, garantiu que iria gerar mais emprego em São José de Ribamar.


“No Planeja do Parque Vitória o prefeito de São José de Ribamar falou que ia ter emprego mas ele tá tirando emprego dos trabalhadores”, disse um morador e líder comunitário


Uma senhora que teve a lanchonete destruída, segundo denúncias, chegou a obter um empréstimo no Banco do Nordeste para comprar novos equipamentos, melhorar seu negócio e aumentar sua renda.


“Agora quem vai pagar a dívida dela?”, questionaram os participantes do grupo durante o diálogo.

Usar Facebook para criticar o trabalho gera demissão por justa causa.



Em Natal (RN), uma auxiliar de enfermagem foi demitida por justa causa acusada de ter publicado no Facebook fotos com legendas contendo críticas ao hospital em que trabalhava.

A decisão foi unânime e não cabe mais recurso.

A demissão por justa causa foi em novembro de 2015, e o caso foi analisado em dezembro passado pela Segunda Turma do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RN), da 21ª Região --a divulgação só aconteceu neste mês.
Em uma das fotos, a auxiliar de enfermagem, que trabalhava na farmácia do hospital, mostra as caixas de remédios que deviam ser guardadas ao final do expediente. "Olha ai...Quem vai responder pelo crime de hj... Toma que o filho é teu", afirmava a legenda, de acordo com os autos do processo.

Outra imagem do ambiente de trabalho, não autorizada, continha na legenda a expressão "peia" (gíria usada no Nordeste para se referir a surra ou ao órgão sexual masculino).

O caso havia sido julgado pela 8ª Vara do Trabalho de Natal, em setembro de 2016, e a demissão por justa causa havia sido revertida. A sentença expedida alegava não haver provas suficientes, nas legendas escritas pela ex-funcionária, que "denegrissem a imagem da empresa de modo alarmante e grave" para justificar a demissão dela por justa causa.

O hospital recorreu ao TRT, em outubro de 2016, e conseguiu reverter a decisão. A Justiça acatou a justificativa do hospital, de que a ex-funcionária lesou a honra e a boa imagem da empresa. O relator do processo no TRT/RN, desembargador Ronaldo Medeiros de Sousa, considerou que a postura da auxiliar de enfermagem não foi condizente "com a de uma profissional à altura das suas responsabilidades".

A divulgação das fotos e comentários em uma rede social, não privada, de alcance mundial e repercussão altíssima, contando, inclusive, com a interação comprovada de outros empregados da reclamada, é inadmissível do ponto de vista ético e profissional.

O voto do relator, favorável à demissão por justa causa, foi acompanhado por unanimidade pelos desembargadores da Segunda Turma.

Tem sido cada vez mais comum a Justiça usar postagens nas redes sociais como provas, segundo o advogado Gustavo Pontinelle, especialista em direito do trabalho. "O fato de as postagens serem utilizadas e acolhidas como meio de prova é uma tendência crescente nos tribunais. A rede social não tem sua abrangência limitada apenas ao mundo virtual; ao contrário, ela influencia diretamente na vida real."

Segundo Pontinelle, os trabalhadores devem ser cautelosos em suas publicações nas redes.

Do UOL, em Maceió (AL)

Em Natal (RN), uma auxiliar de enfermagem foi demitida por justa causa acusada de ter publicado no Facebook fotos com legendas contendo críticas ao hospital em que trabalhava. A decisão foi unânime e não cabe mais recurso. A... - Veja mais em https://economia.uol.com.br/empregos-e-carreiras/noticias/redacao/2017/03/29/usar-facebook-para-criticar-o-trabalho-gera-demissao-por-justa-causa-no-rn.htm?cmpid=fb-uol&cmpid=copiaecola

sábado, 25 de março de 2017

Record, SBT e RedeTV! não entram em acordo e anunciam saída da TV paga



Três das cinco maiores emissoras de TV do país, Record, SBT e RedeTV! anunciaram nesta sexta-feira (24) que vão sair da TV paga na próxima semana porque não entraram num acordo.
Em mensagem que começou a ser veiculada nesta tarde, Record, SBT e RedeTV! informaram que a partir do dia 29 de março, quando o sinal analógico será desligado na Grande São Paulo, as três emissoras sairão do ar nas operadoras de TV paga NET, Claro, Embratel, Vivo, Oi e Sky.
As redes afirmam que “estas empresas se recusam a negociar os direitos de transmissão, ao contrário do que já fazem com grupos estrangeiros e até com outras emissoras nacionais”, como é o caso da Globo, que já recebe por seu sinal digital.
Na mensagem, as três emissoras ainda dizem que “lamentam a falta de diálogo das operadoras, o que impediu um acordo que respeitasse o desejo do público brasileiro”.
Em 2016, Record, SBT e RedeTV! criaram juntas a Simba, empresa responsável por negociar seus sinais com as operadoras de TV paga. A três redes se uniram após avaliarem que teriam maior poder de barganha se negociassem juntas. As emissoras estimam que o valor de seus sinais valem R$ 15,00 por assinante, o que daria cerca de R$ 3,5 bilhões brutos por ano.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Não é só com carne: leite com ureia e óleo em vez de azeite estão entre fraudes de alimentos no Brasil



Adulterar um produto para obter ganhos comerciais não é particularidade da indústria da carne no Brasil, como foi exposto pela operação Carne Fraca, da Polícia Federal. Estudos e ações pontuais mostram que o crime é praticado para maquiar outros alimentos que chegam à mesa dos brasileiros.
Quase ao mesmo tempo em que policiais federais levavam mais de 30 pessoas à prisão por receber propinas ou adicionar substâncias maléficas à carne, uma ação no Rio Grande do Sul que não teve a mesma repercussão tratava de um caso semelhante. Conheça esse e outros problemas com produtos básicos do dia a dia.

Laticínios vencidos

Na última semana, uma operação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) com outras entidades cumpriu cinco mandados de prisão e quatro de busca e apreensão contra produtores de laticínios que adulteravam lotes já impróprios para o consumo. 
Segundo as investigações, empresas locais vinham adicionando substâncias para diminuir a acidez e eliminar micro-organismos de laticínios vencidos. E, no creme de leite, acrescentavam água para amolecer o produto envelhecido e ressecado.
Foi a 12ª fase das operações "Leite Compen$ado", que começaram em 2013. E hoje a operação integra um programa maior de segurança alimentar criado pela Promotoria gaúcha, tamanho era o número de denúncias e processos judiciais de irregularidades com alimentos.

Ao todo, 167 pessoas - na maioria produtores e distribuidores do Rio Grande do Sul - foram denunciadas e respondem a processos criminais em razão das ações do Ministério Público. Dessas, 16 foram condenadas por adulteração do leite e organização criminosa.
Indústrias e transportadoras já assinaram nove Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MP, que, além de compromissos firmados, abrangem indenizações que somam mais de R$ 10 milhões.
Desde então, diferentes substâncias já foram encontradas nos laticínios; entre elas, ureia e formol. Um comunicado da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgado durante operações passadas alertou sobre o potencial cancerígeno do formol; já a ureia, em doses razoáveis, tem baixa toxicidade. 
"A maioria das adulterações ocorre para aumentar a longevidade dos produtos", explica Caroline Vaz, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Consumidor do MP-RS.
Mesmo após cinco anos de operações, Vaz diz que as denúncias continuam: "Quando descobrimos e coibimos um novo golpe, os grupos inventam uma nova técnica para adulterar os produtos".
Ela alerta para os problemas de fiscalização: há situações criminosas - como a revelada na operação da PF -, mas também defasagem por falta de fiscais.

Azeite que é óleo

Azeites que não são extravirgem ou que nem sequer podem ser classificados como azeite (e, sim, óleo), já foram denunciados pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), que testa produtos desde 2002.
Resultados recém-divulgados mostram que de 24 marcas testadas, sete ditas extravirgem na verdade são misturas de óleos refinados, segundo a pesquisa. São elas: Tradição, Figueira da Foz, Torre de Quintela, Pramesa, Lisboa, além de duas que conseguiram na Justiça não ter seus nomes divulgados. Já outra marca (Beirão) não continha azeite extravirgem, como descrito na embalagem.
"Consumidores estão pagando mais por um produto que não tem a qualidade que se anuncia", critica Sonia Amaro, advogada e representante da Proteste.
Enquanto o azeite extravirgem é benéfico para a saúde, aumentando o colesterol bom (HDL), o óleo é prejudicial, pois eleva, por exemplo, o mau colesterol (LDL).
Até o momento, a Natural Alimentos, responsável pela importação e envasamento da marca Lisboa, afirmou que não foi notificada pela Proteste e que a partir desse ano apenas comercializará azeites extravirgem importados aprovados por órgãos controladores nos países de origem.
Já a empresa Olivenza, da marca Torre de Quintela, disse que desconsidera a análise da Proteste, pois fez testes próprios da qualidade do produto. Os documentos foram encaminhados à reportagem e serão repassados à Proteste.
As demais marcas não tinham respondido à reportagem até a publicação deste texto.

Produtos adulterados

A organização científica independente US Pharmacopeia monitora um banco de dados sobre fraudes de alimentos, que serve para mostrar tendências de adulteração em vários países. A pedido da BBC Brasil, a entidade fez um breve levantamento sobre o Brasil. 
Registros de adulteração da carne começaram em 2015, segundo a organização. E o caso do leite tem sido um problema persistente. Além de ureia e formol, há ainda adição de água oxigenada.
A Anvisa diz que pequenas quantidades de água oxigenada no leite não trazem riscos à saúde. Mas não há evidências sobre consumo em altas doses da substância.
Numa análise com leite de cabra na Paraíba, 40% das 160 amostras continham leite de vaca. Os resultados de 2012 foram publicados na revista American Dairy Science Association.
Um estudo publicado no periódico Food Chemistry revelou que 13% das amostras de mel no Brasil eram acrescidas de xarope de açúcar. 
Outra pesquisa publicada no Journal of Heredity identificou fraude na substituição de espécies de peixes em Manaus.
E há ainda relatórios sobre a adulteração do café com casca da própria planta, além de soja e milho, que são mais baratos.
Em setembro do ano passado, uma ação pontual do Procon-MG indicou que 30,7% de 241 marcas de café analisadas continham impurezas acima do limite. 

Controle do café

Segundo o engenheiro agrícola José Braz Matiello, pesquisador da Fundação Procafé, as adulterações do café afetam o gosto da bebida, mas não causam males à saúde.
"O café é torrado a temperaturas próximas a 260 graus, eliminando quaisquer organismos eventualmente maléficos, diferentemente do que pode ocorrer com outros alimentos ou bebidas consumidos in natura e sem tratamento térmico", explicou por e-mail.
Desde 1989, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) faz análises anuais com 3 mil amostras do mercado. O diretor-executivo Nathan Herszkowicz explica que o programa começou em decorrência do alto índice de fraudes verificado à época.
A Abic então criou o Selo de Pureza e definiu que o limite tolerado de impurezas é de 1% da amostra total, com penalidades que vão de advertência a denúncia ao Ministério Público.
Nos testes iniciais, resíduos eram encontrados em até 25% das amostras de café. Atualmente, Herszkowicz afirma que o índice não chega a 1%.
"A adulteração mais comum continua a ser a adição da casca do café, que é um resíduo usado para reduzir o custo do produto", explica.

Pressões na legislação

Normas de vigilância definem regras e punições sobre fraudes em produtos. Mas pelo menos dois projetos de lei querem tornar crime hediondo a adulteração de alimentos.
O projeto de lei do Senado 228, de 2013, está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania desde setembro do ano passado. Já o PL 6248/2013 não tem movimentação desde 2015.
Enquanto isto, organizações como a Proteste pressionam por mudanças na lei visando a proibir determinados aditivos em alimentos. Esse é o caso do amarelo tartrazina, um corante que provoca reações alérgicas.
Ele é encontrado em produtos consumidos por crianças, como biscoitos salgados e doces, além de refrigerantes e sucos.
"Há anos pressionamos pelo banimento desse corante, mas ainda seguimos brigando por isso", contou Sonia Amaro.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor lembrou que as normas brasileiras sobre corantes são mais permissivas do que as de outros países, como os Estados Unidos.
Esse é o caso de corantes chamados amarelo crepúsculo, banido na Finlândia e Noruega; azul brilhante, proibido na Alemanha, Áustria, França, Bélgica, Noruega, Suécia e Suíça; vermelho 40, não permitido na Alemanha, Áustria, França, Bélgica, Dinamarca, Suécia e Suíça; entre outros.
O mesmo acontece para determinados agrotóxicos aplicados em vegetais e frutas que chegam aos consumidores brasileiros. Há anos, uma lista de pesticidas banidos em alguns países é comercializada no Brasil.
Exemplos são do acefato, um dos mais vendidos no país e que pode ter efeitos no sistema endócrino, e o herbicida paraquat, que foi proibido até na China, que costuma ser permissivo com leis ambientais.
Mas o problema dos agrotóxicos, na verdade, é maior. A Proteste testou ano passado 30 amostras de supermercados e feiras do Rio de Janeiro e de São Paulo. Em 14%, os níveis de pesticidas estavam acima dos recomendados pela Anvisa. Em 37%, havia substâncias nem sequer autorizadas.
 





terça-feira, 14 de março de 2017

Brasil é quarto país no ranking global de casamento infantil



Levantamento recente do Banco Mundial revela que o Brasil tem o maior número de casos de casamento infantil da América Latina e o quarto no mundo. No país, 36% da população feminina se casa antes dos 18 anos. As informações são da ONU News.
O estudo "Fechando a Brecha: Melhorando as Leis de Proteção à Mulher contra a Violência" lembra que a lei do Brasil estipula 18 anos como a idade legal para a união matrimonial e permite a anulação do casamento infantil. O problema é que há muitas brechas na legislação.
Se houver consentimento dos pais, por exemplo, as meninas podem se casar a partir dos 16 anos. A autora do estudo, Paula Tavares, fala sobre outras brechas na lei. “Um dispositivo ainda comum em todo o mundo é a permissão do casamento infantil – e em geral sem limite de idade – se a menina estiver grávida. Esse é o caso do Brasil”.
Segundo ela, o país também não prevê punição para quem permite que uma menina se case fora dos casos previstos em lei, nem para os maridos nesses casos. “Na América Latina, 24 países preveem pena a quem autorize o casamento precoce, mas o Brasil não está entre eles,” observou.
Segundo o documento do Banco Mundial, a cada ano, 15 milhões de meninas em todo o mundo se casam antes dos 18 anos. Em muitas culturas, o casamento precoce muitas vezes é visto como uma solução para a pobreza, por famílias que acreditam que assim terão uma boca a menos para alimentar. No Brasil, os principais motivos incluem gravidez na adolescência e desejo de segurança financeira.
Evasão escolar e renda menor
No entanto, o estudo destaca que o casamento infantil responde por 30% da evasão escolar feminina no ensino secundário a nível mundial e faz com que as meninas estejam sujeitas a ter menor renda quando adultas. Também as coloca em maior risco de sofrer violência doméstica, estupro marital e mortalidade materna e infantil.
Por outro lado, o documento ressalta que eliminar o matrimônio infantil traz ganhos econômicos. Por isso, as recomendações para o Brasil e a América Latina são eliminar as brechas na legislação e adotar punições para a união não prevista em lei.
EBC Agência Brasil

segunda-feira, 6 de março de 2017

Jovem tem 60% do corpo queimado por namorada

Rio - O jovem que teve 60% do corpo queimado após a namorada atear fogo nele segue internado e seu estado de saúde é estável. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, Elcid Oliveira, conhecido como Cidinho, foi socorrido no último sábado para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste. Ele teve queimaduras no tórax e no abdômen.
A vítima está consciente e respirando normalmente, sem necessidade de aparelhos. Ainda não há previsão de alta. 
Segundo o jovem, ele e a namorada teriam brigado por ciúmes por parte dela. Cidinho contou que tudo aconteceu de forma inesperada. Eles estavam na casa da mãe da jovem e a vítima havia pedido um copo de água quando ela lhe surpreendeu e lhe jogou álcool , e em seguida, ateou fogo nele.
O casal havia reatado há cerca de dois meses depois de um ano separados. Segundo informações, a namorada de Cidinho, que é menor de idade, não foi mais vista em Vila Aliança, região onde mora.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Família inteira foi executada a tiros dentro de casa em São Gonçalo

Família inteira foi executada a tiros dentro de casa em São Gonçalo Reprodução Facebook

Rio - Policiais da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) prenderam um suspeito de comandar a execução de uma família, em São Gonçalo. Lucas Resende Matheus, de 23 anos, foi encontrado em casa, na manhã desta quinta-feira, em Saquarema. Ele é sobrinho de Soraya Gonçalves Resende, uma das vítimas assassinadas no último dia 17. Na ocasião, o marido, Wagner Salgado, e a filha de 9 anos, Geovanna Resende, também foram mortos.
Já seu irmão gêmeo, Matheus Resende Khalil, também foi detido e levado para a delegacia junto com seu pai nesta manhã. Em depoimento, ele confessou o crime e contou que sua mãe, Simone Gonçalves de Resende, está envolvida no caso. O rapaz disse também que um menor de idade, de 15 anos, também participou do assassinato. Até o momento, a polícia ainda não havia expedido o mandado de prisão de Matheus.
De acordo com a DHNSG, os jovens não têm passagens pela polícia, mas Simone já foi detida por ameaça e constrangimento ilegal. O mandado de prisão da suspeita também deve ser emitido nesta quinta-feira. Durante a perícia, os agentes encontraram dentes no apartamento onde aconteceu o crime. Segundo a polícia, os dentes foram deixados como um ritual de magia. As investigações apontam que Simone era praticante dessa modalidade e os dentes significam posse.
A polícia investiga se a morte tem ligação com uma briga judicial envolvendo o inventário do pai de Soraya e de Simone. A herança seria no valor de R$ 7 milhões. O processo, que tramita na 6ª Vara Cível de São Gonçalo, se arrasta há 20 anos.
Segundo a polícia, Lucas tentou se desfazer da arma do crime. A Justiça já concedeu mandado de busca e apreensão em quatro endereços. Em um deles, em Rio das Ostras, foi encontrado um revólver calibre 38.