quarta-feira, 6 de julho de 2016

Brasil é o país mais perigoso para homossexuais, afirma NYT


Uma reportagem publicada no jornal norte-americano "New York Times" nesta terça-feira (5) afirma que o Brasil é o lugar mais perigoso do mundo para gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. 

Citando dados do grupo "Gay Bahia", a publicação diz que mais de 1.600 pessoas foram assassinadas no Brasil por motivações homofóbicas nos últimos quatro anos e meio, dados que representam praticamente uma morte por dia. Segundo o jornal, esses números contrastam com a "imagem de uma sociedade tolerante e aberta" de um país que "aparentemente alimenta expressões de liberdade sexual durante o carnaval e que possui a maior parada gay do mundo".

Essa reputação não é sem fundamento. "Nas quase três décadas desde que a democracia tomou o lugar da ditadura militar, o governo brasileiro introduziu diversas leis e políticas com o objetivo de melhorar a vida das minorias sexuais", diz o texto.

A reportagem diz que o Brasil foi um dos primeiros países a oferecer medicamentos antirretrovirais para diagnosticados com HIV, foi pioneiro na América Latina a reconhecer a união civil de pessoas do mesmo sexo para fins de imigração e um dos precursores a liberar a adoção de crianças por casais homoafetivos.

 O ponto é que as tradições sociais de alguns grupos não caminharam no mesmo ritmo desde avanços. A publicação relaciona a violência contra gays com a cultura machista que ainda há na sociedade brasileira e com o crescimento de alas evangélicas mais conservadoras, que se opões ao público LGBT.

Segundo o cientista político Javier Corrales, ouvido pela reportagem, os brasileiros até estariam mais tolerantes. O problema é que aqueles que se mantêm intolerantes estariam "desenvolvendo novas estratégias e um discurso mais virulento para barrar o progresso nessas questões", afirmou.

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