16 de julho Dia Mundial da Cobra: elas são bons animais de estimação?


Naja no meio do mato

Na semana passada, um estudante de medicina veterinária foi picado por uma cobra naja, um gênero de serpente que não é nativa da fauna brasileira. Esse acidente – que pode ter consequências graves ou até mesmo fatais – levanta dois alertas sobre a criação de cobras como animais de estimação: o tráfico de animais silvestres e exóticos e a ameaça que essa prática representa para os animais e as pessoas.

Na natureza, as najas vivem, em média, 15 anos e passam a maior parte do tempo embaixo de pedras ou em árvores. Na fase adulta, podem chegar a medir até três metros, por isso é tão importante que elas tenham espaço para se esticar.

Isso levanta a questão: as cobras podem ser animais de estimação?

Cobras são animais silvestres e não domésticos.

O processo de domesticação ocorre ao longo de milhares de anos. Animais como gatos, cães e cavalos foram selecionados, por meio de reprodução, para características específicas que se repetem por muitas gerações.

Acredita-se que os cães tenham sido domesticados entre 27.000 e 40.000 anos atrás. Já os gatos, estima-se que isso tenha acontecido entre 3.600 e 9.500 anos atrás. Como esses animais são domesticados, com cuidados e condições adequadas, podem viver com os seres humanos em cativeiro sem sofrer.

No Canadá, por exemplo, muitas cobras vendidas no chamado “comércio de animais exóticos” vêm diretamente da natureza – principalmente da África Ocidental. Mesmo os animais que são reproduzidos fora da natureza são descendentes de animais que nasceram na natureza.

Em uma casa, é impossível replicar o espaço e a liberdades que as cobras têm em seu habitat natural. Como resultado, elas sofrem.

Em cativeiro, as cobras são incapazes de regular naturalmente a temperatura do corpo, as dietas são insuficientes – pois não conseguem buscar sua própria comida –, além de não conseguirem explorar ou se esticar, como fariam na natureza.

A domesticação de um animal é um processo que levas muitas gerações e ocorre ao longo de centenas ou milhares de anos e esse processo envolve a reprodução seletiva de certos genes.

A reprodução de cobras é perigosa, pois reduz o fundo genético, principalmente quando os criadores acasalam animais que têm parentesco para vender mais. Além disso, as cobras são criadas de maneira intensiva e seletiva para gerarem cores e padrões incomuns, para que os criadores possam vendê-las a um preço mais alto.

A criação seletiva também pode alterar o tamanho natural do animal e causar vários impactos negativos em sua saúde física e mental. Isso é particularmente comum em cobras e outros répteis, já que os compradores querem cada vez mais versões geneticamente selecionadas e que tenham pouca semelhança com seus parentes selvagens.

Um animal silvestre nascido em cativeiro não deixa de ser um animal silvestre. Os instintos de um animal silvestre não somem simplesmente por ter nascido fora do seu ambiente natural e selvagem. Esses instintos não desaparecem quando os animais vivem em uma casa, apartamento ou qualquer tipo de cativeiro.

Mesmo em cativeiro, o animal silvestre continua sendo silvestre. Ele continua com seu instinto natural de se afastar de uma fonte de calor quando está muito quente, ou de se mover em direção a uma fonte de calor quando está frio, e com o instinto natural de caçar e se esconder.

Para animais como as cobras, é difícil reconhecer sinais de doença ou sofrimento. Mesmo que você encontre um veterinário com experiência e treinamento para tratar cobras, ele pode ter dificuldades em diagnosticar as doenças do animal.

Como resultado do estresse, estima-se que 75% das cobras em cativeiro morram dentro de um ano.*

Independente da cobra ter nascido em cativeiro ou ser originária da natureza, ela sofre em cativeiro.

Quando são capturados na natureza, os animais são expostos a manuseios físicos estressantes e acabam se ferindo – isso sem contar o estresse e as altas taxas de mortalidade durante o transporte, armazenamento e processamento.

As taxas de mortalidade estimadas para répteis capturados na natureza variam de 5% a 100% e de 5% a 25% para espécies criadas em cativeiro. Já a taxa de mortalidade estimada de um criador de répteis é de 72%. Oitenta por cento dos animais observados nas instalações de criadores estavam doentes ou morrendo – representando mais de 3.000 animais em um período de seis semanas.

Fonte: worldanimalprotection.org.br

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